Coluna da Paçoca

Criança não vem com manual. Ainda bem.

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Nós, Paçoca e Matilda, temos uma relação muito particular com as crianças. Elas chegam falando alto, correndo sem destino, fazendo perguntas que nenhum adulto sabe responder e, de alguma maneira, conseguem transformar qualquer objeto da casa em brinquedo. A Paçoca chama isso de bagunça. Eu prefiro chamar de energia.

Talvez por isso gostemos tanto delas.

Criança ainda não aprendeu completamente a esconder o que sente. Se está feliz, demonstra. Se está triste, chora. Se gosta, abraça. Se não gosta, deixa bem claro. Nós, cachorras, entendemos perfeitamente esse idioma.

Mas existe uma coisa que os humanos grandes parecem esquecer: infância não é apenas uma fase que precisa passar. É uma fase que precisa ser vivida.

Criança precisa brincar, imaginar, fazer perguntas, descobrir o mundo e, às vezes, simplesmente não fazer nada. Precisa de adultos que coloquem limites sem apagar a curiosidade, que ensinem responsabilidade sem transformar tudo em cobrança e que estejam presentes de verdade, não apenas fisicamente no mesmo cômodo.

A Matilda diz que criança precisa de tempo.

Eu concordo. Principalmente porque já percebemos que os humanos estão sempre com pressa. Correm para levar, correm para buscar, correm para trabalhar, correm para resolver. E, quando percebem, aquela criança que ontem cabia no colo já está dizendo que prefere fechar a própria porta.

Talvez o maior presente que vocês possam dar a uma criança seja justamente aquilo que não cabe em uma caixa: presença.

E nós sabemos alguma coisa sobre isso. Para nós, um passeio de quinze minutos pode ser um acontecimento extraordinário quando alguém realmente está ali. Não importa o celular, o relógio ou a próxima tarefa. Importa estar.

Também achamos que crianças precisam aprender cedo que o mundo não gira apenas em torno delas. Precisam aprender a respeitar os animais, cuidar da natureza, dividir, esperar, ouvir e compreender que gentileza não é fraqueza.

Isso nós podemos ensinar muito bem.

Afinal, nós dividimos brinquedos, perdoamos rapidamente, comemoramos reencontros e nunca perguntamos se alguém merece carinho antes de oferecer.

Neste 12 de outubro, talvez os adultos pudessem fazer uma pequena pausa e lembrar que infância não precisa ser perfeita. Precisa ser segura, afetiva e suficientemente livre para que uma criança possa descobrir quem é.

Nós, Paçoca e Matilda, estaremos por perto.

Eu, pronta para investigar qualquer biscoito que cair no chão.

A Matilda, disponível para receber abraços.

E as duas torcendo para que toda criança tenha aquilo que realmente importa: alguém que esteja presente para vê-la crescer.

Paçoca & Matilda

Oito patas, quatro olhos atentos e a certeza de que infância feliz não se mede pelo tamanho do presente, mas pelo tamanho do espaço que deixamos para uma criança ser criança.

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