Formar para além da técnica: o papel da universidade na nova Medicina Veterinária
Felipe Carboni
A Medicina Veterinária deixou de ocupar um espaço restrito ao cuidado animal e passou a integrar, de forma estratégica, o campo da saúde pública. Em um cenário marcado por desafios sanitários, ambientais e sociais cada vez mais interligados, a formação desses profissionais exige uma visão ampliada, ética e comprometida com a sociedade. É sob essa perspectiva que a coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhembi Morumbi, campus Piracicaba, Dra. Flávia Caroline Destro analisa o papel da universidade na formação das novas gerações.
Inserida no conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental, a atuação da universidade tem sido orientada por uma formação integrada. A proposta vai além da transmissão de conhecimento técnico: busca preparar médicos-veterinários conscientes de sua responsabilidade social, capazes de atuar em um sistema de saúde cada vez mais interdisciplinar. A matriz curricular, alinhada às demandas contemporâneas, alia ciência, atualização profissional e atividades práticas que aproximam o estudante da realidade da comunidade.
Para Flávia Caroline, formar em Medicina Veterinária é equilibrar, de maneira permanente, técnica, ética e sensibilidade. Esses pilares não aparecem como conteúdos isolados, mas atravessam toda a graduação, desde a base teórica até as práticas laboratoriais, os atendimentos à comunidade e os projetos de extensão. Ao vivenciar situações reais, o estudante aprende que o exercício da profissão envolve empatia, tomada de decisões responsáveis e compreensão do impacto social e ambiental de cada conduta profissional.
Entre os desafios mais urgentes enfrentados pelos futuros médicos-veterinários está a necessidade de atuar em um cenário cada vez mais complexo. O profissional contemporâneo precisa dominar aspectos técnicos, mas também desenvolver pensamento crítico, ética, adaptabilidade e visão sistêmica. A universidade responde a esse desafio com um currículo em constante atualização, metodologias ativas, atividades práticas desde os primeiros períodos e forte aproximação com o mercado e com as demandas da sociedade.
Ao longo de sua trajetória na docência e na coordenação, Flávia Caroline destaca como momentos marcantes aqueles em que acompanha a transformação dos alunos. Ver estudantes que ingressam inseguros no início da graduação se tornarem profissionais confiantes, éticos e comprometidos reafirma, segundo ela, o impacto profundo da educação. Especialmente nas atividades práticas, nos estágios e no contato direto com a comunidade, fica evidente que a universidade forma não apenas técnicos qualificados, mas profissionais conscientes do seu papel social.
Para quem deseja ingressar na Medicina Veterinária, a orientação é clara e realista. Trata-se de uma profissão que vai muito além do amor pelos animais. Exige dedicação, responsabilidade, estudo contínuo e sensibilidade para lidar com pessoas e com a sociedade como um todo. É uma escolha desafiadora, mas também profundamente transformadora para aqueles que estão dispostos a crescer continuamente e assumir, com seriedade, o compromisso que a profissão exige.
Em um mundo que demanda profissionais cada vez mais preparados para lidar com a complexidade da vida, a formação em Medicina Veterinária reafirma seu papel essencial — não apenas no cuidado animal, mas na construção de uma sociedade mais consciente, integrada e responsável.