O futuro começa no que fazemos agora
O futuro tem uma vantagem sobre o presente: ainda não chegou para cobrar as promessas que fazemos em seu nome. Talvez por isso seja tão usado nos discursos e tão pouco considerado nas decisões. Falamos no país que queremos deixar para nossos filhos, mas precisamos perguntar quais exemplos estamos deixando dentro de casa. Desejamos uma economia forte, mas nem sempre discutimos com seriedade as condições necessárias para quem trabalha, produz e emprega. Esperamos uma política melhor, embora muitas vezes aceitemos nos nossos representantes aquilo que condenamos nos adversários. O amanhã começa a ganhar forma nessas escolhas. Como empresário, aprendi que ter esperança é necessário, mas não dispensa planejamento. Quem mantém uma empresa precisa olhar adiante sem perder de vista as contas do mês, os compromissos assumidos e as pessoas que dependem daquela atividade. Há decisões difíceis, riscos e circunstâncias que fogem ao nosso controle. Ainda assim, cabe a nós preparar o terreno. Essa responsabilidade também vale para a vida pública. Um país precisa de direção e continuidade. Educação exige trabalho que atravessa gerações. Infraestrutura demanda planejamento que ultrapassa mandatos. Segurança depende de instituições que cumpram suas funções. Quando cada governo trata tudo o que recebeu como algo a ser descartado, o Brasil desperdiça tempo e recursos recomeçando o que deveria aperfeiçoar. Tenho uma visão conservadora porque reconheço valor na experiência acumulada. A família, a fé, o trabalho e o compromisso com a palavra dada seguem oferecendo referências para enfrentar um mundo em transformação. Preservá-las exige prática: estar presente na criação dos filhos, cuidar dos mais velhos, cumprir acordos e assumir as consequências das próprias decisões. Isso também nos ajuda a discernir o que precisa mudar. Uma tradição merece permanecer pelo bem que realiza. Um erro antigo continua sendo um erro, por mais tempo que tenha sido tolerado. O passado oferece lições; cabe a nós ter humildade para aprendê-las e coragem para corrigir o rumo. A tecnologia torna essa tarefa ainda mais urgente. Novas ferramentas transformam a maneira de produzir, aprender e conviver. Precisamos preparar nossos jovens para utilizálas com competência e discernimento. Saber operar uma máquina ou um sistema tem valor. Saber julgar a qualidade de uma informação, respeitar outra pessoa e responder pelo próprio trabalho também tem. Que futuro estaremos construindo se oferecermos acesso a tudo, mas pouca orientação para escolher? Crianças e jovens precisam de oportunidades, limites e adultos dispostos a educar pelo exemplo. Nenhuma inovação assume por nós essa obrigação. Como católico, encontro na fé uma razão para olhar adiante com esperança e os pés no chão. A dignidade humana precisa orientar nossas escolhas, especialmente quando envolvem quem tem menos condições de se defender. O valor de uma sociedade também aparece no cuidado com a criança, com o idoso, com quem está doente e com quem procura uma oportunidade para reconstruir a vida.Quero um Brasil em que trabalhar permita prosperar, empreender seja viável e formar uma família possa ser um projeto vivido com confiança. Para chegar lá, precisamos cobrar responsabilidade do poder público e exercê-la nas tarefas que nos cabem. O futuro terá muito das decisões tomadas longe dos palanques: na mesa de uma família, na sala de aula, no balcão de um comércio, no trabalho feito com honestidade, é assim que o amanhã começa a ter endereço.