Biossensor identifica câncer de pâncreas em estágios iniciais
Dispositivo busca diagnóstico rápido e acessível da doença, aumentando as chances de tratamento eficaz
Divulgação/Governo de SP
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sensor eletroquímico capaz de detectar o câncer no pâncreas ainda nos estágios iniciais. O dispositivo identifica a molécula biomarcadora CA19-9 em baixas quantidades no sangue do paciente, oferecendo uma alternativa mais simples e barata a exames convencionais e menos acessíveis.
Nos estágios iniciais, o câncer de pâncreas é assintomático, o que faz com que a doença seja identificada, na maioria das vezes, tardiamente. É por isso também que é um dos mais letais. Nesses casos avançados, a taxa de sobrevida em cinco anos é de apenas 3%.
A ideia de desenvolver esse biossensor simples e barato surge do princípio de dar acesso à rastreabilidade dessa doença, conta Débora Gonçalves, professora do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coordenadora do projeto. No estudo, publicado na revista ACS Omega, os pesquisadores descrevem o funcionamento de um sensor que detecta a presença da proteína CA19-9, o principal marcador biológico do câncer de pâncreas.
A proteína é frequentemente utilizada como marcador tumoral no acompanhamento da doença, sendo identificada apenas em exames laboratoriais mais complexos. O câncer de pâncreas costuma ser identificado por meio de ensaio imunoenzimático (Elisa), que exige laboratórios equipados, mão de obra qualificada e tempo de processamento longo, quando comparado aos biossensores.
Por isso, o objetivo da pesquisa foi criar uma ferramenta de rastreio de baixo custo que facilite o acesso da população ao diagnóstico precoce, aumentando significativamente as chances de sucesso terapêutico, afirma Soares. No teste com 24 amostras de sangue de pacientes em diferentes estágios da doença e do grupo-controle, os pesquisadores obtiveram respostas estatisticamente semelhantes às dos exames tradicionais.
O próximo passo do trabalho é ampliar o número de análises e o tipo de amostras, incluindo sangue, saliva e urina disponibilizados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. A equipe também desenvolve outros dois sensores, com arquitetura e mecanismo de detecção diferentes, e trabalha com técnicas de aprendizado de máquina para compor uma ferramenta chamada língua bioeletrônica, capaz de analisar os resultados obtidos de amostras de sangue, urina e saliva.