Chiquinho Brazão é alvo de operação da PF que apura desvio de emendas parlamentares
Ação autorizada pelo STF cumpriu mandados no Rio e bloqueou R$ 100 milhões em patrimônio
Agência Câmara/Divulgação
O deputado cassado Chiquinho Brazão, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, foi alvo nesta quinta-feira (9) de uma operação da Polícia Federal que investiga o desvio de verbas parlamentares. Batizada de Operação Emendatio, a ação mobilizou 60 policiais federais para cumprir dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, todos no Rio de Janeiro.
Entre os presos estão Raphael da Silva Gonçalves, ex-assessor do irmão de Chiquinho, Domingos Brazão, e Robson Calixto Fonseca. Domingos e Robson também foram condenados no caso Marielle Franco. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, que mantém a condução de processos envolvendo autoridades com foro especial, como deputados federais. No caso de Chiquinho Brazão, o STF continuou com o processo mesmo após ele deixar o cargo. Ele foi cassado pela Câmara dos Deputados em abril de 2025, por causa do envolvimento na morte de Marielle Franco.
Na mesma operação, o STF também autorizou o bloqueio patrimonial de R$ 100 milhões. Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que recursos de emendas parlamentares federais eram destinados a organizações da sociedade civil (OSCs) no Rio de Janeiro, que mantinham contratos e parcerias com órgão da administração pública federal. Parte da verba, de acordo com a apuração, era desviada por meio de pagamentos indevidos e do uso de empresas de fachada e laranjas.
A PF informou ainda que há suspeita de irregularidades nas parcerias firmadas com as OSCs investigadas, como superfaturamento, conluio entre empresas que participavam das cotações de preços e inexecução contratual. O objetivo da operação é coletar provas, identificar mais envolvidos, aprofundar a análise financeira e patrimonial dos investigados e recuperar bens e valores possivelmente relacionados ao esquema. A ação apura crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em fevereiro deste ano, o STF condenou os irmãos Brazão a 76 anos de prisão pelo assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a defesa de Chiquinho Brazão não quis se manifestar.