Coppe lidera projeto que quer mudar a produção de lúpulo no Brasil
Iniciativa da UFRJ aposta em pesquisa, tecnologia e extratos para reduzir dependência de importações e ampliar a cadeia no país.
Reuters/Peter Gercke
Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ) lideram um projeto que pode transformar a cadeia produtiva do lúpulo no Brasil e colocar o país como referência global entre regiões de clima tropical na produção e no fornecimento da matéria-prima. O trabalho é desenvolvido no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo), da Coppe.
O lúpulo é usado na produção de cerveja e também tem aplicação nos setores de alimentos, etanol, cosméticos e farmacêutico. Hoje, a maior parte do que é consumido no Brasil é importada, principalmente de regiões de clima frio, onde há apenas uma safra anual por causa das condições de luminosidade e temperatura. A proposta do projeto é adaptar a produção ao ambiente nacional, com uso de agricultura de precisão, processamento industrial e controle de qualidade em laboratório próprio.
Segundo a coordenadora Amanda Xavier, do Programa de Engenharia de Produção, ao qual o Casulo é vinculado, a iniciativa busca estruturar uma nova cadeia produtiva no país. Em parceria com a Associação Brasileira do Lúpulo (Aprolúpulo), o grupo elaborou o Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, publicado em março de 2026. O documento é considerado estratégico para orientar pesquisas, políticas públicas e investimentos. O projeto também prevê a produção de extratos de lúpulo com tecnologia avançada de extração com CO, capazes de atender diferentes segmentos industriais com padronização, rastreabilidade e fornecimento em escala.
A pesquisadora afirma que o mapa já ajuda a nortear decisões sobre locais de cultivo, necessidades de infraestrutura e capacitação técnica. Com manejo adequado e uso de tecnologias como suplementação luminosa, o país poderia alcançar até 2,5 safras por ano. Em 2024, a produção mundial de lúpulo foi de cerca de 114 mil toneladas, enquanto o Brasil produziu 81 toneladas diante de uma demanda interna de aproximadamente 7 mil toneladas, mercado estimado em cerca de R$ 878 milhões por ano. O país produz apenas 1,11% do que consome.