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Escolas com presença flexível em SP ampliam retorno de mães aos estudos

Modalidade da EJA já atende 113 unidades em 94 cidades e permite que estudantes criem a própria rotina

Mães concluem o Ensino Médio por meio de aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) Paulo Savala/Educação SP
Mães concluem o Ensino Médio por meio de aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA)

No início deste ano letivo, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) expandiu o número de escolas estaduais que ofertam aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na modalidade de presença flexível. Antes exclusivo para 43 CEEJAs (Centros Estaduais de Educação de Jovens e Adultos), o modelo agora atende estudantes em 113 unidades de ensino.

Na prática, a modalidade permite que os alunos criem sua própria rotina de estudos e não precisem frequentar as aulas de segunda a sexta-feira. Em todo o estado, 56,7 mil pessoas estão matriculadas nessas escolas.

Entre os exemplos citados estão mães que retomaram os estudos em busca da formação na Educação Básica e de novos sonhos. Ana Paula Alcântara, de 57 anos de idade, é aluna da EJA flexível da Escola Estadual Padre Antonio Vieira, localizada em Santana, na zona norte da capital paulista.

Ela deixou a escola ainda adolescente, não concluiu o Ensino Médio e decidiu abandonar os estudos quando o filho era pequeno. “Eu sempre tive um problema muito sério de aprendizagem, repeti de ano muitas vezes, quando meu filho era pequeno, comecei a trabalhar no shopping Center Norte e nunca mais voltei”, conta. Ana Paula diz que hoje tenta fazer cadastros e não consegue avançar porque não tem Ensino Médio ou ensino superior.

Ana Paula afirma que sempre incentivou o filho a estudar. “Eu sempre fui uma excelente mãe, não fui boa comigo mesma. Meu filho fez faculdade de administração e hoje é síndico profissional, tem uma empresa nesse ramo”, diz. Ela também relata que tentou voltar a estudar há 20 anos, mas não recebeu o mesmo acolhimento que exalta atualmente.

Agora, a estudante planeja os próximos passos. “Eu tenho o sonho de fazer faculdade. Gosto de ensinar, na escola até já me disseram que um dia eu posso me tornar colega dos professores”, finaliza.

Em outra unidade, a 10 quilômetros dali, na Escola Estadual Silva Jardim, no Tucuruvi, também localizado na zona norte de SP, Lidia Maria Lins Zanini Cordeiro, de 48 anos de idade, compartilha o mesmo sentimento de retomada. Viúva há sete anos e mãe de dois filhos, ela precisou adiar o sonho do magistério, iniciado em 1996, para trabalhar e cuidar da família.

“O objetivo de Lidia é concluir o Ensino Médio ainda este ano para cursar pedagogia ou terapia ocupacional”, informa o texto. Com os filhos Eduardo Augusto, de 11 anos de idade, e Marina, de 16 anos de idade, com mais autonomia, ela utiliza os momentos livres do trabalho como profissional de apoio e manicure para estudar os roteiros de aula em casa, indo à escola apenas para avaliações e plantões.

Na mesma escola, Edna Florindo da Silva, de 63 anos de idade, quer provar que a idade não é limite para a busca por conhecimento. Assistente administrativa em regime de home office, ela parou de estudar em 1980 e, após criar os filhos, decidiu que era o momento de sua própria realização.

“ O tempo não importa, a sua idade não importa, o que importa é o seu desejo, a sua realização”, diz Edna. Ela já foi aprovada em disciplinas como biologia e matemática e estuda durante os finais de semana e feriados. Com planos de cursar administração ou contabilidade, destaca a flexibilidade do modelo atual, que permite conciliar as aulas com suas atividades na igreja e cursos de novas tecnologias.

Todas as escolas que ofertam o Ensino Médio no modelo de presença flexível disponibilizam dois itinerários de aprofundamento curricular. A organização da carga horária permite que o estudante estruture seu percurso formativo de maneira personalizada, iniciando pelos componentes curriculares com os quais tem maior afinidade ou necessidade.