Giro de Notícias

Fungo da esporotricose é encontrado em animais silvestres em estudo no Paraná

Pesquisa detectou espécies de Sporothrix em órgãos internos de mamíferos, aves e répteis atropelados e aponta novo reservatório para o fungo

Os resultados sugerem que animais silvestres também podem ser reservatórios desses fungos, que causam sérias lesões em animais domésticos, mas que podem contaminar humanos Divulgação/Governo de SP
Os resultados sugerem que animais silvestres também podem ser reservatórios desses fungos, que causam sérias lesões em animais domésticos, mas que podem contaminar humanos

O fungo causador da esporotricose, normalmente transmitido entre gatos e associado a lesões na pele, foi encontrado nos órgãos internos de animais silvestres em um estudo apoiado pela Fapesp. A pesquisa, publicada em março na revista Mycopathologia, detectou três espécies do gênero Sporothrix em mamíferos, aves e répteis atropelados em rodovias do Paraná, incluindo a Sporothrix brasiliensis, exclusiva do Brasil.

Além dela, também foram encontradas S. globosa e S. schenckii, esta última a mais frequente. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que animais silvestres também podem ser reservatórios desses fungos, que causam sérias lesões em animais domésticos e podem contaminar humanos, afetando a pele e podendo chegar ao sistema linfático. Anderson Messias Rodrigues, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) e coordenador do estudo, afirmou que os fungos estão circulando mais do que se imaginava e representam potencial risco para a saúde humana e animal.

O estudo analisou 178 amostras de tecidos de coração, fígado, pulmão e bexiga de 81 animais encontrados entre 2017 e 2023 ao longo de cerca de 530 quilômetros da BR-376 e 150 quilômetros da PR-445. No total, o DNA de espécies patogênicas de Sporothrix foi detectado em 11 animais. Os tecidos que mais testaram positivo foram o coração, com seis registros, e o fígado, com cinco. Entre os casos, estavam aves, mamíferos e até um réptil, a cobra-coral-falsa (Oxyrhopus spp.), além do gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus), espécie ameaçada de extinção.

As análises mostraram ainda que regiões de transição entre áreas nativas, rurais e urbanas tiveram mais casos de Sporothrix. Para os pesquisadores, isso reforça a ideia de que os reservatórios do fungo vão além dos animais domésticos. O trabalho também aponta que a análise de animais mortos por atropelamento pode ser uma ferramenta inovadora e barata de vigilância em saúde, alinhada ao princípio de Saúde Única.