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Jogos com captação de movimento ajudam no diagnóstico do autismo

Estudo da USP mostrou que a ferramenta identificou diferenças no tempo de resposta e pode complementar avaliações tradicionais com dados mais objetivos.

Jogos permitem coleta precisa de dados sobre coordenação motora, equilíbrio e padrões de movimento, além de apresentarem potencial terapêutico, ajudando a desenvolver habilidades motoras e emocionais em ambiente estimulante EEFE
Jogos permitem coleta precisa de dados sobre coordenação motora, equilíbrio e padrões de movimento, além de apresentarem potencial terapêutico, ajudando a desenvolver habilidades motoras e emocionais em ambiente estimulante

Jogos interativos com captação de movimento podem contribuir para o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), aponta uma pesquisa da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP. O estudo avaliou um jogo capaz de analisar padrões motores e concluiu que a ferramenta foi eficaz ao identificar o tempo de resposta como um padrão relevante, com diferenças significativas entre pessoas com autismo e o grupo neurotípico.

Atualmente, o diagnóstico do TEA se baseia na observação direta do paciente, entrevistas com familiares e testes neuropsicológicos. Segundo o texto, por dependerem de avaliações comportamentais, esses processos podem ter caráter subjetivo. Foi nesse cenário que a pesquisadora Fernanda Orosco Guilherme, sob orientação do professor Jorge Alberto de Oliveira, testou um jogo interativo para verificar se a tecnologia conseguiria distinguir os dois grupos por parâmetros sensório-motores.

A pesquisa foi feita em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do Município de Tatuí (SP). Foram recrutadas 38 pessoas com diagnóstico clínico de autismo, de ambos os sexos e com idade entre 5 e 25 anos, além de outras 38 pessoas com desenvolvimento típico, selecionadas para corresponder em gênero e faixa etária. A ferramenta usada foi o jogo Bubbles, no qual o participante deve interceptar bolhas que surgem na tela do computador, enquanto uma câmera captura os movimentos em tempo real.

Os indicadores analisados foram o tempo de acerto, a distância percorrida pelo alvo até a interceptação e a porcentagem de acertos. Os resultados mostraram que o grupo experimental apresentou menor precisão e menor eficiência do trajeto motor até o alvo. O dado mais expressivo foi o tempo de resposta: pessoas com autismo foram significativamente mais lentas em toda a execução da tarefa. Para a pesquisadora, além da precisão diagnóstica, a tecnologia tem baixo custo, alta atratividade e pode ajudar a acompanhar a evolução terapêutica dos pacientes.