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Mendonça diz que deixará sociedade no Instituto Iter

Ministro afirmou que cederá suas cotas e as da esposa, e que a instituição será transformada em entidade sem fins lucrativos

O ministro André Mendonça anunciou que vai deixar a sociedade no Instituto Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva. Carlos Moura/SCO/STF
O ministro André Mendonça anunciou que vai deixar a sociedade no Instituto Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) que vai deixar a sociedade no Instituto Iter, instituição privada de ensino que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva. Em nota, Mendonça afirmou que nunca recebeu lucros do instituto, criado em novembro de 2023, quase dois anos após sua posse como ministro da mais alta Corte de justiça do país.

Segundo o ministro, ele cederá suas cotas e também as de sua esposa, Janei Mendonça, para que eventuais valores ligados à participação do casal na empresa sejam destinados a fins sociais e educacionais. Mendonça disse ainda que o Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, mantendo sua vocação exclusivamente educacional e social. Nessa nova configuração, ele seguirá prestando serviços apenas acadêmicos, como professor.

No site do instituto, Mendonça é apontado como professor do curso Arte e a Ciência da Oratória. De acordo com o ministro, a decisão de transformar o Iter em entidade sem fins lucrativos foi tomada em conjunto com o presidente do instituto, Victor Godoy Veiga. Os dois foram ministros de Estado no governo de Jair Bolsonaro: Mendonça comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública entre abril de 2020 e março de 2021, e Veiga chefiou o Ministério da Educação de março a 2022 e janeiro 2023.

A Revista Fórum informou, nesta quinta-feira (3), que o Iter firmou ao menos 55 contratos com órgãos públicos de 14 unidades federativas desde sua fundação. Somados, os contratos chegam a R$ 10,8 milhões. Segundo a apuração do jornalista Plínio Teodoro, 54 desses contratos foram feitos por contratação direta, sem licitação prévia. A Agência Brasil disse ter entrado em contato com o Instituto Iter e aguarda resposta.