Pesquisadores desenvolvem açúcar de cana com baixo índice glicêmico
Produto combina sacarose com extratos de café e amendoim; ensaio com 25 voluntários apontou redução do índice glicêmico em resultados preliminares
Juliana Macedo
Pesquisadores vinculados à Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS) desenvolveram um açúcar de cana que combina sacarose e extratos antioxidantes de resíduos de café e amendoim. Segundo a equipe, o produto é absorvido mais lentamente pelo organismo, sem alterar o sabor. Resultados preliminares de um ensaio clínico indicaram redução do índice glicêmico de médio para baixo. O pedido de patente já foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Coordenado por Juliana Macedo, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA-Unicamp), o projeto utiliza extratos de grãos de café verde defeituosos e da película vermelha que envolve o amendoim. Os compostos fenólicos, com ação antioxidante, são incorporados aos cristais por uma técnica de cocristalização em matriz de sacarose. Uma modificação no processo ampliou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação de material, preservando as propriedades fenólicas, segundo os pesquisadores.
O ensaio clínico reuniu 25 voluntários ao longo de seis dias distintos. Foram testadas glicose pura, sacarose cocristalizada pura, versões com extrato de café ou de amendoim e uma mistura com ambos, chamada de blend. A glicemia dos participantes foi monitorada por duas horas após o consumo. A redução significativa do índice glicêmico foi observada com a mistura dos cocristais de café e amendoim. Esse índice mede a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue e eleva a glicose.
O teor energético do produto ainda não foi avaliado. Segundo Macedo, a hipótese inicial é que o valor calórico seja igual ao da sacarose convencional, mas isso precisa ser testado. O grupo também pretende estudar o impacto do ingrediente na microbiota humana, em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália.
Desenvolvido em cristais para substituir o açúcar convencional em alimentos processados, o ingrediente será oferecido para licenciamento em um pacote tecnológico da PBIS. As empresas participantes da plataforma têm preferência no licenciamento. Caberá às indústrias conduzir os trâmites legais de registro dos produtos, com respaldo científico da equipe.