PF cita pagamentos mensais e viagens em investigação contra senador Ciro Nogueira
5ª fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 07 de maio, a 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Entre os investigados está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro.
As ações ocorreram nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, com cumprimento de um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 18,85 milhões.
Segundo representação apresentada pela Polícia Federal ao STF, há indícios de que Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação também aponta suposto custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e utilização de imóveis de alto padrão.
De acordo com a PF, em troca das vantagens, o senador teria apresentado projetos de interesse do banqueiro, entre eles a Emenda nº 11 à PEC nº 65, protocolada em agosto de 2024. O texto ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Os investigadores afirmam que a proposta teria sido elaborada por assessores do Banco Master e entregue na residência do parlamentar. A Polícia Federal também aponta suposta aquisição de participação societária na empresa Green Investimentos S.A., avaliada em R$ 13 milhões, por R$ 1 milhão, por meio da empresa administrada pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.
Com base nos elementos apresentados pela PF e no parecer do Ministério Público, André Mendonça proibiu Ciro Nogueira de manter contato com investigados e testemunhas da operação. O ministro também determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo irmão do senador e proibiu sua saída do país.
Em nota, a defesa de Ciro Nogueira repudiou “qualquer ilação de ilicitude” sobre a atuação do parlamentar e afirmou que o senador irá colaborar com as investigações. Os advogados também questionaram medidas investigativas baseadas em troca de mensagens entre terceiros.
A operação é desdobramento das fases anteriores da Compliance Zero, que já resultaram em prisões preventivas, bloqueios bilionários de bens e afastamento de investigados de cargos públicos.
Matéria baseada em texto de Alex Rodrigues, Repórter da Agência Brasil.