PF prende influenciadores e cantores em operação contra esquema de R$ 1,6 bilhão
Ação mira organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e uso de apostas ilegais para ocultar recursos
Paulo Pinto/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quarta-feira (15), cantores e influenciadores digitais durante a Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em atividades ilícitas. A ação ocorreu em nove estados e é um desdobramento da Operação Narcobet.
Entre os detidos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais e outros envolvidos no esquema. Ao todo, a Justiça expediu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, com cumprimento em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal.
Segundo a PF, a organização utilizava um sistema estruturado para ocultar e dissimular valores provenientes de crimes como tráfico de drogas, exploração de apostas e rifas ilegais. O grupo operava com movimentações financeiras de grande porte, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos.
As investigações apontam que pessoas com grande visibilidade pública eram utilizadas para divulgar plataformas ilegais e dar aparência de legalidade às operações. De acordo com a polícia, os recursos eram inseridos no sistema financeiro formal por meio de pagamentos a essas figuras públicas, sendo posteriormente dispersados por meio de terceiros para dificultar o rastreamento.
Durante a operação, foram apreendidos bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões, incluindo veículos, além de valores em dinheiro, documentos, equipamentos eletrônicos e armas. Também foram determinadas medidas de constrição patrimonial e restrições societárias para interromper as atividades do grupo e preservar ativos.
A PF informou que mais de 200 agentes participaram da operação, coordenada pela 5ª Vara Federal de Santos. Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.