Sensores biodegradáveis criados pela USP detectam pesticidas em três minutos
Dispositivos feitos de material vegetal podem ser fixados em folhas, caules e cascas para monitorar a saúde das plantas em tempo real
Divulgação/Governo de SP
Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram sensores biodegradáveis capazes de detectar pesticidas em plantas em três minutos e vinte e oito segundos. Os dispositivos, feitos com tinta de carbono e impressos em bioplásticos transparentes e flexíveis, podem ser fixados diretamente em folhas, caules e cascas para medir temperatura, umidade, desidratação, biomarcadores, doenças, níveis de nutrientes e a presença de pesticidas.
Segundo o professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) Paulo Augusto Raymundo-Pereira, os sensores permitem uma leitura não destrutiva, rápida e no próprio local da análise, com envio da informação em tempo real para um celular. O trabalho foi publicado em fevereiro na revista Biosensors and Bioelectronics: X. O pesquisador destacou que a tecnologia usa acetato de celulose, material vegetal flexível, atóxico, biodegradável, leve e fácil de manusear.
Cada dispositivo tem duas unidades sensoriais e consegue identificar, em uma mesma análise, três classes de pesticidas: diquat, carbendazim e difenilamina. O custo de cada sensor é de US$ 0,077, e o uso é único. Para funcionar, a leitura é feita sobre uma gota de água na superfície da planta, com apoio de um potenciostato portátil sem fio que transmite os dados por bluetooth. A análise também foi testada em maçãs e pimentões, além de amostras de saliva humana e água da torneira adicionadas de pesticidas.
A equipe já havia desenvolvido, em 2022, uma luva com sensores nas pontas dos dedos para o mesmo fim. Agora, o novo formato foi apontado como mais prático por se adaptar diretamente à superfície da planta e por ser totalmente biodegradável. A Fapesp apoiou o trabalho com bolsa de pós-doutorado, auxílio à pesquisa regular e fixação de novos doutores.