Sindicato denuncia tratamento diferenciado a Deolane em penitenciária de São Paulo
Sinppenal afirma que influenciadora recebeu atendimento fora do protocolo na Penitenciária Feminina de Santana; SAP diz que agiu por determinação judicial.
Reuters/Leco Viana
O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, detida por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro com o Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu tratamento especial na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital. A denúncia foi encaminhada à Direção-Geral da Polícia Penal, e a entidade pediu a abertura de processo administrativo e disciplinar para apurar o caso e punir eventuais responsáveis.
Segundo o sindicato, Deolane teria sido recebida pelo diretor da unidade ao chegar, fora do protocolo padrão. A entidade afirma ainda que houve ordem para esvaziar uma sala de espera usada por detentas que aguardam atendimento médico, a fim de acomodá-la no local. O Sinppenal também diz que a influenciadora consumiu refeições preparadas para os carcereiros, e não as distribuídas às presas. Além disso, ela teria tomado banho quente em chuveiro elétrico privativo e dormido em uma cama diferente das de concreto disponibilizadas nas celas.
A denúncia sustenta ainda que a investigada teve acesso restrito a agentes penais, o que, segundo a nota do sindicato, comprometeu a fiscalização e a segurança institucional. O departamento jurídico da entidade afirma que as condutas violam o artigo 3 da Lei de Execução Penal, que prevê igualdade de tratamento a condenados e presos provisórios, salvo exceções legais, e o artigo 4, que veda discriminação por condição social, econômica ou notoriedade pública. O sindicato também cita a Lei Orgânica da Polícia Penal de São Paulo, que prevê princípios como impessoalidade, moralidade, legalidade e eficiência.
A SAP informou que Deolane foi alocada de acordo com determinação judicial, que reconheceu a existência de registro ativo da reeducanda como advogada. A secretaria disse ainda que sua atuação se limitou ao estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário. O caso ocorre em meio à superlotação nas unidades citadas: a Penitenciária Feminina de Santana tem capacidade para 2.686 internas e registra 2.822, enquanto a unidade de Tupi Paulista, para onde Deolane foi transferida no dia 22, tem 714 vagas e 872 presas.