Startup apoiada pela Fapesp usa inteligência de dados para prever falta de água no campo
Sistema da Spectrum cruza sensores, imagens de satélite e previsões meteorológicas para indicar a disponibilidade hídrica e apoiar decisões de irrigação
Divulgação/Governo de SP
A startup paulista Spectrum, apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fapesp, desenvolveu uma plataforma para ajudar produtores rurais a antecipar a disponibilidade de água no campo e decidir com mais precisão quando irrigar. Batizada de Palma Flex Total, a tecnologia amplia um sistema lançado em 2019 para monitorar a umidade do solo e agora combina sensores instalados no terreno, comunicação de dados por rádio e modelos de inteligência artificial para estimar a vazão de mananciais.
O sistema foi criado sob o comando de Adilson Chinatto e Cynthia Junqueira, engenheira eletricista com mestrado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo a empresa, a plataforma consegue cobrir áreas de até 3 mil hectares, tem baixo custo de manutenção e alta conectividade em regiões remotas. Além de prever a disponibilidade hídrica, ela também monitora vento, radiação solar e temperatura, e ainda pode detectar falhas em motores.
A proposta é transformar medições dispersas em informações práticas para o produtor. Com dados públicos de pluviometria da bacia hidrográfica a montante, imagens de satélite e previsões meteorológicas, o sistema indica se há água suficiente para operar o equipamento ou se é melhor aguardar. A ferramenta oferece previsibilidade de até 16 dias e pode apoiar decisões como o momento de ligar os pivôs, o investimento em novos reservatórios, o ajuste da janela de plantio e até a escolha por culturas menos dependentes de irrigação.
Junqueira afirma que os dados históricos de vazão também ajudam na renovação da outorga, autorização governamental de uso da água renovada a cada cinco anos. Além disso, a plataforma pode contribuir para qualificar a imagem da agricultura irrigada e documentar práticas conservacionistas que aumentam a infiltração e a recarga dos mananciais. Chinatto avalia que o modelo também pode ser usado em áreas urbanas, com potencial para monitorar pequenos rios e antecipar enchentes.