Super El Niño preocupa projeto ambiental e acende alerta para restauração da vegetação nativa
Germano Chagas, do Corredor Caipira, diz que fenômeno pode intensificar chuvas, estiagens e impactos sobre agricultura e cidades
Jessica Lane
Modelos científicos apontam para a existência de uma versão amplificada do El Niño em 2026, o Super El Niño, que deve atingir força máxima entre o fim deste ano e o início de 2027. O fenômeno preocupa profissionais do projeto ambiental Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas, que acompanha os efeitos das mudanças climáticas sobre diferentes regiões.
O El Niño é um aquecimento das águas do Oceano Pacífico que altera os ventos e a temperatura. Segundo Germano Chagas, coordenador técnico do Corredor Caipira, esses eventos naturais já causam alteração no padrão de temperaturas atmosféricas e no regime das chuvas em diversas regiões do planeta, mas têm se tornado cada vez mais intensos e frequentes.
“No contexto do Brasil, um El Niño forte como esse que está previsto para o final de 2026 pode trazer temperaturas mais elevadas e concentração de chuvas, especialmente na região sul, enquanto outras regiões podem ter períodos de estiagem”, diz Chagas, que é engenheiro florestal e doutor em recursos florestais. Ele também afirma que, de modo geral, a tendência é de chuvas menos frequentes e mais intensas.
Isso, segundo o coordenador, pode gerar consequências para o desenvolvimento das culturas agrícolas, provocar alagamentos em centros urbanos e até falta de água para o abastecimento público. Diante de um cenário de mudanças climáticas e de eventos extremos mais intensos, Chagas destaca a importância de recuperar e conservar a vegetação nativa, por contribuir com a biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos e do solo, além de ser uma das principais estratégias para conter o avanço das mudanças climáticas.
Ele também aponta que iniciativas de restauração, como o Corredor Caipira na região de Piracicaba, enfrentam dificuldades porque as mudas plantadas para recuperar a vegetação sofrem maior mortalidade e têm mais problemas para se desenvolver no campo. O Corredor Caipira é realizado pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) e pelo Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental (Nace-Pteca) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
O projeto atua para restaurar paisagens, recuperar serviços ecossistêmicos, proteger recursos hídricos e criar condições para que a fauna volte a circular entre áreas naturais. Além de plantar árvores nativas, também desenvolve ações de comunicação, educação ambiental e políticas públicas. Os municípios abrangidos são Piracicaba, São Pedro, Santa Maria da Serra, Águas de São Pedro, Anhembi e Paulínia.