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SUS vai ampliar proteção contra doença pneumocócica com vacina mais abrangente

A partir de junho, a VPC20 começa a substituir a VPC10 e dobra o número de sorotipos prevenidos

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. Tomaz Silva/Agência Brasil
A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica.

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) vai substituir a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos. O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com orientações sobre a mudança para profissionais de saúde, e os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem o imunizante.

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, e pode provocar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, e também graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com mortalidade de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão também estão entre os mais vulneráveis.

A vacinação contra a doença, com a VPC10, entrou no calendário básico infantil em 2010. Desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos 10 sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos, e os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária caíram 65%. No entanto, em anos mais recentes, os registros voltaram a crescer. De 2013 a 2019, o Brasil registrou média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, afirma que o avanço está ligado a uma mudança epidemiológica provocada pela própria efetividade da vacinação. Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20. Além disso, as vacinas pneumocócicas conjugadas também reduzem a presença do pneumococo na nasofaringe, o que ajuda a impedir a transmissão e amplia a proteção indireta.

O Programa Nacional de Imunizações já oferece outras vacinas contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, destinadas a públicos específicos com condições de saúde que aumentam o risco de formas graves. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o fim dos estoques. Fazem parte dos grupos de alto risco pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos, transplantados de órgãos sólidos ou medula, imunodeficientes, pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas, asmáticos graves, diabéticos, pessoas com síndrome de down e prematuros.

O calendário básico de vacinação prevê duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idade, com reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira o mais breve possível. Durante a transição da VPC10 para a VPC20, a primeira dose e o reforço serão feitos com a 20-valente, enquanto a segunda dose seguirá com a 10-valente. Crianças que já receberam a primeira dose da 10-valente serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças menores de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10. A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula ou que tiveram reação alérgica severa em doses anteriores. Também é recomendado esperar a melhora da febre antes da imunização.