Telemedicina do Hospital das Clínicas reduz mortes maternas em cerca de 45%
Projeto Tele-UTI Obstétrica foi implantado em 25 hospitais brasileiros e combinou capacitação, teleconsultas e acompanhamento remoto de casos graves.
Divulgação/Governo de SP
O Tele-UTI Obstétrica, desenvolvido pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde, reduziu em cerca de 45% as mortes de gestantes e puérperas em hospitais participantes, segundo estudo publicado pela revista BMJ Global Health. O modelo usa telemedicina para conectar especialistas a equipes médicas e foi criado durante a pandemia da covid-19, quando houve aumento expressivo das mortes de gestantes internadas em UTIs.
De acordo com Carlos Roberto Carvalho, professor da Faculdade de Medicina, diretor da saúde digital do HC e primeiro autor do artigo, a circulação de variantes mais agressivas do coronavírus levou muitas grávidas a desenvolver quadros graves de insuficiência respiratória, enquanto hospitais de diferentes regiões não tinham condições de oferecer atendimento especializado. Diante desse cenário, o Hospital das Clínicas passou a oferecer suporte remoto a equipes de todo o País e, com o avanço do projeto, ampliou o atendimento para outras emergências obstétricas, como hemorragias, hipertensão e sepse.
Em 22, o governo federal pediu o desenvolvimento de um projeto em nível nacional, unindo o atendimento obstétrico com a Tele-UTI. Segundo Carvalho, foram montados protocolos de atendimento e iniciada a capacitação de profissionais de saúde de diferentes áreas do Brasil, em hospitais onde o Ministério da Saúde havia identificado aumento da mortalidade materna e na UTI. A iniciativa foi implantada em 25 hospitais brasileiros e combinou capacitação, teleconsultas e acompanhamento remoto de casos graves.
Para medir os efeitos, os pesquisadores compararam dados de 16 hospitais antes e depois da adoção da Tele-UTI Obstétrica. O estudo aponta que a iniciativa ajudou a evitar ao menos 21 mortes de gestantes e puérperas entre 2022 e 2024. Segundo os coordenadores, a experiência mostrou que soluções de baixo custo, aliadas à capacitação profissional, podem gerar impacto direto na saúde pública e colocar o modelo como referência para outros países que enfrentam desafios semelhantes na assistência materna.