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USP patenteia metodologia para mapear vulnerabilidades urbanas e apoiar políticas públicas

Sistema criado na universidade identifica áreas mais suscetíveis a falhas de energia, problemas de saúde, desigualdades sociais e déficits de infraestrutura

A pesquisa resultou na elaboração de um mapa inédito de vulnerabilidade energética da cidade de São Paulo Divulgação/Governo de SP
A pesquisa resultou na elaboração de um mapa inédito de vulnerabilidade energética da cidade de São Paulo

Uma metodologia desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) para mapear vulnerabilidades urbanas a partir de dados territoriais foi patenteada no Brasil. Criado no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases Estufa da USP, o procedimento coordenado pelo geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi permite identificar, com precisão espacial, áreas mais suscetíveis a problemas como falhas no fornecimento de energia, desigualdades sociais, questões de saúde e deficiências de infraestrutura.

O trabalho nasceu no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) com apoio da FAPESP, da Shell e participação de outras empresas, com sede na Escola Politécnica da USP. A partir dessa experiência, a equipe estruturou o procedimento metodológico e pediu a proteção intelectual, concedida recentemente após processo iniciado em 2018.

A pesquisa resultou em um mapa inédito de vulnerabilidade energética da cidade de São Paulo. O estudo classificou áreas residenciais em quatro níveis, de muito alta a baixa vulnerabilidade, a partir do cruzamento de indicadores como densidade de árvores, proximidade de hospitais, características da rede elétrica, extensão das áreas atendidas por subestações e a existência de uma fonte alternativa de energia, como o gás.

Os resultados mostraram que a vulnerabilidade energética não depende diretamente da renda. Em bairros de alto padrão, a metodologia também identificou áreas com alta vulnerabilidade, o que reforça o peso de fatores territoriais e estruturais no diagnóstico. Segundo Venturi, o método vai além de um único fenômeno e pode cruzar diferentes temas, como vulnerabilidade social e energética, além de permitir simulações. Em um dos exercícios, a ampliação do uso de gás em cerca de 23% nas residências paulistanas reduziria, em média, 11% da vulnerabilidade energética. A patente reconhece a integração sistemática de três dimensões: teoria, método e técnica, em um único fluxo analítico aplicado ao mapeamento territorial.