Piracicaba inicia imunização inédita contra bronquiolite em bebês prematuros
Ação da Vigilância Epidemiológica, iniciada em 24 de fevereiro, é a primeira do tipo no SUS e protege recém-nascidos
Prefeitura Piracicaba
A equipe de Imunização da Vigilância Epidemiológica, departamento da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, começou a aplicar nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o imunizante contra bronquiolite em bebês prematuros nascidos nos hospitais da cidade. A ação é inédita no SUS (Sistema Único de Saúde) e garante a aplicação do medicamento nirsevimabe, fornecido pelo Ministério da Saúde, que amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da doença.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal capaz de fornecer proteção imediata aos recém-nascidos. Diferente de vacinas tradicionais, não há necessidade de estimular o sistema imunológico do bebê a produzir seus próprios anticorpos, agindo de forma passiva para combater o vírus.
São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Entre as comorbidades que podem afetar bebês de até dois anos e que demandam essa proteção adicional, estão problemas como doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita e fibrose cística.
Em Piracicaba, o anticorpo será incorporado ao Programa Dupla Dose, realizado de forma ininterrupta pelo município, que já garante a vacinação dos bebês nos hospitais contra BCG, para prevenir formas graves de tuberculose, e Hepatite B. A proteção contra o VSR também é oferecida no SUS ainda na gestação, a partir da 28ª semana de gravidez, por meio de vacina nas unidades de saúde, protegendo os bebês desde o nascimento. O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.
Em relação às ocorrências, Piracicaba registrou em 2025 um total de 152 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR. Desse total, a maior concentração foi observada em crianças com menos de um ano, somando 110 ocorrências, o que representa 72,37% do total de casos de SRAG por VSR no período.
A maioria dos casos de bronquiolite é decorrente de infecção viral, e por isso, não existe tratamento específico para a doença. O manejo é baseado na terapia de suporte, suplementação de oxigênio quando necessário, hidratação e uso de broncodilatadores, substâncias que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas nos pulmões, especialmente em casos de chiados evidentes.
A ação já trouxe resultados e teve a adesão de mães, como Pérola Farias, mãe de Aurora, nascida com 29 semanas em 28 de janeiro. "É uma coisa boa", disse ela após a filha ser vacinada. Os gêmeos Matteo e Anthony, nascidos com 32 semanas em 10 de fevereiro, também foram imunizados, e sua mãe, Ana Gabriela Gonçalves, afirmou: "Proteção a mais é sempre bom". Camila Campos, mãe de Isaac Gael, nascido com 33 semanas em 26 de janeiro, pontuou que a imunização no hospital "facilita a vacinação já no hospital". "Com certeza vai proteger a saúde dela", reforçou Simone Lima, mãe de Pérola, que nasceu com 27 semanas de gestação.