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2026: o ano que passou correndo e ainda nem acabou

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Alguém precisa explicar o que aconteceu com 2026. Parece que foi ontem que estávamos brindando a chegada de janeiro, fazendo promessas de vida saudável e jurando que, desta vez, tudo seria diferente. Bastou uma distração e outubro apareceu, com o Natal praticamente à espreita e a desagradável sensação de que o calendário está trabalhando em regime de produtividade extrema. O ano passou tão depressa que algumas resoluções de réveillon continuam aguardando a oportunidade de estrear.

E não foi exatamente um período de tranquilidade. O mundo seguiu oferecendo acontecimentos em quantidade suficiente para testar a resistência emocional de qualquer cidadão minimamente informado. A política internacional continuou produzindo tensões, enquanto a brasileira, fiel à tradição, transformou o calendário eleitoral em uma competição de nervos. Entre campanhas, debates e o primeiro turno de outubro, chegamos à reta final da disputa presidencial com a impressão de que a eleição dura uma eternidade, embora o restante do ano tenha desaparecido num piscar de olhos.

Tivemos também Copa do Mundo. A Espanha conquistou o título diante da Argentina, em julho, e o futebol cumpriu novamente sua função de interromper a rotina e despertar especialistas que passam quatro anos sem acompanhar uma partida. Durante algumas semanas, estratégias, escalações e decisões de arbitragem dominaram conversas com a autoridade de quem certamente faria melhor se estivesse à beira do campo. Terminou o campeonato, e voltamos às nossas especialidades habituais: discutir política, reclamar da vida e prometer que na segunda-feira tudo entraria nos eixos.

Enquanto isso, as redes sociais continuaram operando como uma espécie de liquidificador da realidade. Uma notícia mal terminava de ser compreendida e outra já exigia indignação imediata. Todo mundo tinha opinião, poucos tinham paciência e quase ninguém parecia disposto a admitir que desconhecia algum assunto. A inteligência artificial avançou nas conversas e nas ferramentas do cotidiano, mas a inteligência humana, em certas discussões, continuou sendo artigo de disponibilidade irregular.

Na vida particular, o fenômeno não foi menos curioso. Janeiro trouxe planos, fevereiro exigiu adaptações e, quando percebemos, já estávamos tentando descobrir em qual mês deixamos de cumprir metade das metas. Houve compromissos adiados, encontros prometidos e aquela organização pessoal que continua lindíssima no aplicativo, embora tenha pouca relação com a realidade. O tempo não parece apenas passar mais rápido. Nós é que aprendemos a preenchê-lo com tantas urgências que quase não sobra espaço para perceber o que vivemos.

Talvez essa seja a retrospectiva mais incômoda de 2026, mesmo antes de dezembro: tivemos acontecimentos demais e atenção de menos. Acompanhamos o mundo em tempo real, mas nem sempre conseguimos acompanhar a própria vida. E ainda faltam semanas para o ano terminar, o que recomenda alguma prudência antes de declarar encerrado um período que claramente não perdeu o gosto pelas surpresas.

Se 2026 ensinou alguma coisa até aqui, foi que o tempo voa. E, ao contrário das nossas promessas de janeiro, não demonstra a menor intenção de esperar.