Antes de contestar resultado, campanha de Flávio também pediu prorrogação da votação
Derrotado por mais de 4,4 milhões de votos, senador questiona medida adotada pelo STF; documentos mostram que as duas campanhas solicitaram ampliação do horário, embora com alcances diferentes
Imagem: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.
Às 15h50 de domingo, 25 de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mais tempo para votar em municípios atingidos por chuvas. Horas depois, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador anunciou que não reconheceria o resultado e pediria a anulação da eleição. Seu argumento passou a ser a prorrogação do horário de votação.
Os pedidos tinham alcances distintos. Às 13h22, a campanha de Lula solicitou ampliação em municípios da Bahia, alegando falta de transporte público. Às 15h42, estendeu a solicitação ao país inteiro. O pedido de Flávio, oito minutos depois, tratava de localidades afetadas por temporais e dificuldades de deslocamento. Às 16h22, a campanha petista recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Às 17h03, foi divulgada a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender a votação até as 19h em todo o Brasil, sem selecionar estados ou municípios. A ordem, porém, chegou depois do encerramento regular, quando milhares de urnas já haviam emitido os boletins de resultado.
Há uma razão técnica para a aplicação parcial: urna encerrada, com boletim emitido, não pode voltar a receber votos. Tribunais regionais confirmaram a impossibilidade de reabertura. O TSE, portanto, manteve a votação até as 19h somente nas seções ainda abertas. A totalização, suspensa, foi retomada após esse horário.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, criticou os transtornos operacionais da decisão tardia e defendeu planejamento para medidas desse tipo. A comunicação criou problemas reais, mas isso não equivale à demonstração de manipulação dos votos.
O resultado oficial deu 64.256.232 votos a Lula (51,79%) e 59.826.041 a Flávio (48,21%). Após a derrota, o senador alegou quebra de isonomia e prometeu contestar o pleito. Na declaração, não apresentou provas de que a extensão tivesse alterado o resultado. A cronologia registra tanto a crítica à decisão nacional quanto o pedido anterior de sua própria campanha por mais tempo de votação.