Brasil segue fora do Mapa da Fome, aponta relatório da ONU
País manteve a subnutrição abaixo do limite de 2,5% no triênio 2023-2025 e registrou queda na insegurança alimentar grave
FAO/Giuseppe Carotenuto
O Brasil permanece fora do Mapa da Fome, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2026, da FAO. No triênio 2023-2025, o país manteve a proporção de população subnutrida abaixo de 2,5%, limite usado pela organização para classificar uma nação fora desse quadro. Em 2025, o país já havia saído do Mapa da Fome pela segunda vez, com base nos dados do triênio 2022-2024; a primeira foi em 2013.
Os dados divulgados na sede da FAO, em Roma, mostram ainda que a insegurança alimentar grave no Brasil caiu para 0,6% da população, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas, o menor patamar da série histórica. Na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar, essa condição indica que as pessoas podem ter ficado sem alimentos, passado fome ou até permanecido um dia inteiro, ou mais, sem comer. O relatório também aponta que a insegurança alimentar moderada ou grave atingiu 9,6% da população brasileira, cerca de 20,3 milhões de pessoas, no período 2023-2025.
Em discurso na 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, disse que os resultados mostram que a fome não é inevitável. Já José Graziano da Silva, fundador do Instituto Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, afirmou que o relatório traz “muito boas notícias para o Brasil” e estimou que a subalimentação no país esteja hoje em torno de 0,6% ou 0,7%.
Outro dado destacado pelo estudo é a queda na proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável. Em 2025, o índice ficou em 21,1% da população, o que corresponde a 44,8 milhões de pessoas. Apesar da melhora, Fernanda Machiaveli afirmou que a instabilidade dos preços dos alimentos segue como uma das maiores ameaças ao acesso à alimentação saudável, especialmente para as populações mais vulneráveis.