Clima de medo e preços altos afastam torcedores da Copa do Mundo nos EUA
Reservas de voos e hotéis ficam abaixo do esperado, enquanto vistos, fiscalização e ingressos caros pesam sobre a demanda
REUTERS/Leah Millis
Poucas horas antes do início da Copa do Mundo, o movimento esperado para impulsionar o turismo nos Estados Unidos ainda não se confirmou. Hotéis reduziram tarifas, reservas de voos caíram e analistas apontam que custos altos, dificuldade para obter vistos e a logística de acompanhar jogos em 16 cidades-sede em três países têm freado torcedores.
O cenário frustra o setor de viagens, que há anos esperava uma bonança com o torneio. Em Nova York, o presidente-executivo da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York, Vijay Dandapani, resumiu a situação: “É, no geral, uma decepção”. Segundo ele, a entidade reduziu em 60% a previsão de receita com quartos ligada à competição, para cerca de US$60 milhões.
Os números mostram a lentidão na demanda. As reservas de voos da Europa para a maioria das cidades-sede em junho e julho caíram 3,8% em média em relação ao ano anterior, segundo a Cirium. Para Nova York, sede da final de 19 de julho, a retração chegou a 15,8%. A Fifa havia projetado 1,2 milhão de torcedores na cidade, mas Dandapani disse que a expectativa do setor hoteleiro local é de cerca de meio milhão. Em algumas redes, a saída encontrada foi baixar preços: o New York Hilton Midtown reduziu as tarifas pela metade, para US$ 415 por noite.
Além do preço dos hotéis, pesam os ingressos caros, que agora se aproximam de US$ 1 mil em cidades como Nova York e Miami, e as regras de entrada nos Estados Unidos. Torcedores de mais da metade dos países classificados precisam de visto, o que amplia os custos e a incerteza em meio ao reforço da fiscalização nas fronteiras. Ainda assim, há um ponto de alívio para o setor: os aluguéis de temporada vêm registrando alta em cidades-sede como Boston e Los Angeles, com aumento da demanda por opções mais econômicas.