Escolas têm papel central no combate à violência contra meninas, dizem especialistas
Caso no Colégio Cruzeiro, no Rio, reacendeu debate sobre prevenção, acolhimento das vítimas e responsabilização de adolescentes
Colégio Cruzeiro
O caso de uma lista de cunho sexual com nomes de estudantes, todas adolescentes, feita em uma plataforma online e acionado a Polícia Civil pelo Colégio Cruzeiro, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre o papel das escolas no combate à violência contra meninas. A lista expunha, constrangia e humilhava as alunas, e a investigação segue na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), segundo a Polícia Civil.
Ouvidas pela Agência Brasil, especialistas defenderam que a escola precisa atuar de forma contínua na prevenção, com discussão e conscientização dos estudantes. Para a professora da Faculdade de Educação da Unicamp Telma Vinha, a escola é um espaço de aprendizagem e deve tratar conflitos e violências como oportunidades de aprender a viver socialmente. Ela afirma que situações como essa têm muitas camadas e precisam ser trabalhadas de forma sistematizada e contínua.
A professora da Faculdade de Educação da USP Denise Carreira destacou que, além do papel pedagógico, a escola deve acionar os órgãos competentes quando há atos infracionais cometidos por crianças e adolescentes com menos de 18 anos. Segundo ela, o ECA prevê a identificação das situações, o acolhimento das vítimas e a notificação do conselho tutelar e da rede de proteção. Vinha também defendeu que o foco da intervenção seja a vítima, com escuta cuidadosa e sem interrogatório, deixando claro que ela não tem responsabilidade pelo ocorrido.
Carreira afirmou ainda que as escolas precisam discutir assimetrias de gênero e masculinidades para enfrentar a violência contra meninas, mulheres e pessoas LGBT. Para ela, esse debate deve ocorrer por meio de rodas de conversa, projetos e formação de profissionais da educação. Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que acionou as autoridades por boletim de ocorrência, pediu a remoção do conteúdo da plataforma, alertou as famílias e iniciou apoio integral às alunas e às famílias. A escola disse ainda que o bem-estar e a segurança dos alunos são prioridades absolutas e que adota campanhas de conscientização com seus 3 mil alunos.