IA e vídeos falsos superam fake news como principal ameaça às eleições, aponta CGI.br
Guia Internet, Democracia e Eleições diz que desinformação ficou mais distribuída entre plataformas e alerta para deepfakes e outros conteúdos enganosos.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Vídeos falsos criados por inteligência artificial e a informação de baixa qualidade passaram a substituir as tradicionais fake news e hoje são a principal ameaça digital às eleições e à democracia. A avaliação está no Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado nesta terça-feira (22) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).
O documento aponta uma mudança brusca em relação a 2018, quando a primeira edição foi lançada. Naquele cenário, as redes abertas, como o Facebook, concentravam a circulação da desinformação. Agora, a difusão ocorre de forma mais distribuída, em múltiplas plataformas, com destaque para redes mais restritas, como o Whatsapp. Segundo o guia, o vídeo virou o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ajuda a sustentar a narrativa falsa.
A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, afirma que as plataformas digitais ocupam papel central na forma como os brasileiros se informam sobre o mundo, o país e as cidades onde vivem. Ela também destaca que esses ambientes são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos. O guia, disponível no site do CGI.br, trata da operação dos sistemas de recomendação de conteúdo, do impacto da IA generativa no cenário eleitoral e do funcionamento de ferramentas como deepfakes e modelos de linguagem conversacionais.
A publicação reúne ainda diretrizes para o combate institucional à desinformação e orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos. O estudo também chama atenção para o papel dos influenciadores, reconhecendo sua relevância, mas ressaltando que eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade do que divulgam. Entre os principais alertas, o CGI.br cita o realismo das deepfakes, o enfraquecimento da confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário e a tendência de consumo de conteúdos que reforçam crenças já existentes.