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Índia recebe Cúpula do Brics em meio a divisões sobre guerra no Oriente Médio

Reunião nos dias 12 e 13, em Nova Delhi, terá Xi Jinping, Vladimir Putin, Masoud Pezeshkian e outros líderes

Reunião será nos dias 12 e 13 em Nova Delhi Brics/Divulgação
Reunião será nos dias 12 e 13 em Nova Delhi

A Índia sedia neste fim de semana a Cúpula dos Líderes do Brics, nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Delhi, com a missão de ampliar a visibilidade global do bloco em meio às divisões provocadas pela guerra no Oriente Médio. A reunião acontece mais de seis meses após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e o principal desafio será encontrar uma linguagem comum sobre a crise que seja aceita por países em lados opostos do conflito.

Segundo especialistas ouvidos no texto-fonte, uma declaração conjunta teria valor político simbólico, mesmo sem capacidade de alterar o cenário geopolítico atual. O gesto mostraria que um fórum de países emergentes ainda consegue se unir diante de políticas consideradas economicamente debilitantes, como sanções ocidentais. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou na terça-feira (8) que as diferenças entre Emirados Árabes Unidos e Irã dificultam a elaboração do documento, mas disse esperar uma formulação aceita pelos dois lados.

A cúpula também marca a primeira visita de Xi Jinping à Índia em sete anos, reforçando o peso que a China dá ao Brics e colocando Índia e China no centro dos esforços para manter a coesão do bloco ampliado. Vladimir Putin, Masoud Pezeshkian, Cyril Ramaphosa, Abdel Fattah al-Sisi e Prabowo Subianto também devem comparecer, além do secretário-geral da ONU, António Guterres. Os Emirados Árabes Unidos deverão ser representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e, depois, África do Sul, o Brics passou a incluir Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. A expansão reflete a ambição de representar um Sul Global mais amplo, mas também aumentou as tensões internas. Em maio, os chanceleres do bloco não conseguiram publicar uma declaração conjunta, após reunião em Nova Délhi, por divergências entre Irã e Emirados Árabes Unidos. Agora, o bloco tenta superar a divisão, enquanto também enfrenta o peso das políticas tarifárias e do protecionismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.