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Menopausa não é sinônimo de sofrimento: o que ainda impede mulheres de discutir reposição hormonal

Medo ainda afasta mulheres de uma avaliação adequada na menopausa

Nutrólogo e clínico geral Lucas Brito Divulgação
Nutrólogo e clínico geral Lucas Brito

Lucas Brito atua como nutrólogo e médico clínico geral, com experiência em Nutrologia clínica, modulação hormonal, medicina da obesidade e menopausa. Em sua prática, parte de uma ideia central: investigar o que está por trás dos sintomas antes de definir qualquer tratamento.

Quando o assunto é menopausa, essa abordagem toca em um dos temas que ainda despertam receio entre muitas mulheres: a reposição hormonal.

Para Brito, parte desse medo está associada à forma como estudos divulgados no início dos anos 2000 foram compreendidos e incorporados ao imaginário popular. O resultado foi uma percepção generalizada de que qualquer reposição hormonal seria perigosa ou deveria ser evitada.

O cenário, segundo ele, exige uma análise mais individualizada.

“Hoje sabemos que não é bem assim. Importante é ver qual hormônio, qual dose, a via de administração utilizada, a idade da mulher e o momento em que o tratamento é iniciado.”

Ele afirma que, quando corretamente indicada, a reposição pode proporcionar benefícios e melhora da qualidade de vida.

Reposição hormonal não é uso indiscriminado de hormônios

Essa distinção é um dos pontos considerados fundamentais pelo médico.

Reposição hormonal, explica Brito, pressupõe avaliação dos sintomas, histórico da paciente, exames e análise dos riscos individuais. O tratamento tem uma finalidade clínica definida e acompanhamento médico.

É diferente do uso de hormônios sem indicação ou com objetivos que não estejam relacionados a uma necessidade terapêutica identificada.

“Uso indiscriminado é usar hormônio sem indicação, em doses inadequadas ou simplesmente por estética, emagrecimento ou ganho de massa. Hormônio precisa ter objetivo e acompanhamento.”

A diferença não é apenas de quantidade ou de substância utilizada. Está no motivo pelo qual o hormônio é prescrito e na avaliação realizada antes e durante o tratamento.

O problema de considerar o sofrimento algo inevitável

Ondas de calor. Insônia. Alterações de humor. Queda da libido. Mudanças na composição corporal.

Sintomas como esses podem aparecer durante a menopausa e, segundo Brito, não deveriam ser simplesmente aceitos sob a justificativa de que fazem parte do envelhecimento.

Para ele, é justamente essa normalização que pode afastar mulheres da busca por avaliação.

“O problema é achar que sofrer faz parte de envelhecer.”

O médico destaca que as mudanças dessa fase podem atingir diretamente a qualidade de vida. Além dos sintomas percebidos no cotidiano, ele cita perda de massa óssea e alterações na composição corporal.

A questão, portanto, não está em prometer que toda mudança será eliminada, mas em permitir que a mulher compreenda o que está acontecendo com seu organismo.

“A mulher não precisa simplesmente aceitar tudo isso sem buscar ajuda. O corpo muda e a mulher precisa saber e entender o que mudou e ajustar para passar por esse período da melhor forma possível.”

Mais do que controlar ondas de calor

A discussão sobre reposição hormonal também não se limita ao alívio dos sintomas mais conhecidos da menopausa.

Segundo Brito, em algumas mulheres o tratamento pode contribuir para aspectos relacionados à saúde óssea, saúde sexual, sono e qualidade de vida.

Isso, porém, não transforma a reposição em uma indicação universal.

O médico aponta que a relação entre benefícios e riscos costuma ser mais favorável quando o tratamento é iniciado antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos da menopausa.

Antes de qualquer indicação, outros elementos precisam entrar na avaliação.

Quem precisa de atenção especial antes do tratamento

Entre os fatores citados por Brito estão:

  • histórico de câncer;
  • histórico ou risco de trombose;
  • risco cardiovascular;
  • presença de útero;
  • idade da paciente;
  • momento em que o tratamento é iniciado;
  • tipo de hormônio;
  • dose utilizada;
  • via de administração.

É justamente essa lista que ajuda a desmontar duas ideias igualmente equivocadas: a de que reposição hormonal seria sempre perigosa e a de que poderia ser utilizada indistintamente por qualquer mulher.

“Não é para todas: precisamos avaliar histórico de câncer, trombose, risco cardiovascular, presença de útero e outros fatores antes de indicar.”

A reposição hormonal, na abordagem defendida por Brito, deixa de ser tratada como uma escolha entre “usar” ou “não usar” hormônios e passa a ser uma decisão médica construída a partir das características de cada paciente.

Quebrar o tabu começa pela informação

O ponto central não é convencer mulheres a fazer reposição hormonal. É impedir que o medo, por si só, encerre a discussão antes mesmo de uma avaliação.

Da mesma forma, reconhecer os impactos da menopausa não significa transformar todo sintoma em indicação para uso de hormônios.

Entre a resignação diante dos sintomas e o uso indiscriminado existe o espaço da medicina individualizada: entender o que mudou, avaliar riscos, identificar necessidades e definir, quando houver indicação, a melhor estratégia para cada mulher.


Dr. Lucas Brito

69 9996-1402

https://www.doctoralia.com.br/lucas-brito-7/nutrologo-medico-clinico-geral/ariquemes