Mercado eleva previsão da Selic para 13,75% ao ano às vésperas de decisão do Copom
Boletim Focus também mostrou alta na estimativa de inflação para 5,3% em 2026, acima do teto da meta
Marcello Casal jr/Agência Brasil
O mercado financeiro elevou pela segunda semana seguida a previsão para a taxa básica de juros, a Selic, que passou de 13,5% ao ano para 13,75% ao ano até o fim de 2026. A estimativa foi divulgada no boletim Focus desta segunda-feira (16), pesquisa semanal do Banco Central com a expectativa das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
A revisão ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide nesta semana o rumo dos juros. A previsão do mercado é que a Selic seja mantida em 14,5% ao ano no encontro. Na última reunião, em abril, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
Para os anos seguintes, o Focus projeta Selic de 12% ao ano em 2027, 10,25% ao ano em 2028 e 10% ao ano em 2029. A taxa é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando cai, o crédito tende a ficar mais barato; quando sobe, o objetivo é conter a demanda e pressionar menos os preços.
No campo da inflação, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,11% para 5,3% em 2026. Foi a 14ª alta seguida e o índice segue acima do teto da meta, fixada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Em maio, o IPCA fechou em 0,58%, com pressão dos alimentos, e acumulou 4,72% em 12 meses, segundo o IBGE. O boletim também elevou a projeção de crescimento do PIB para 1,96% neste ano e manteve em 1,7% a estimativa para 2027. A cotação do dólar segue em R$ 5,20 no fim de 2026 e em R$ 5,25 no fim de 2027.