Nova descoberta na Foz do Amazonas aumenta expectativa da Petrobras
Magda Chambriard afirma que o poço Morpho reforça a chance de uma nova fronteira exploratória, enquanto o MPF pede na Justiça a suspensão da licença ambiental.
Rovena Rosa/Agência Brasil
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (2) que a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, elevou as expectativas sobre a abertura de uma nova fronteira exploratória no país. O poço, identificado como 1-BRSA-1405-APS, fica em águas ultra profundas, a 2.886 metros de lâmina d’água e a 175 quilômetros da costa do Amapá.
“Tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória”, disse Magda. Segundo ela, a empresa ainda não pode garantir o valor comercial do achado, mas as informações até agora apontam nessa direção. A presidente também exibiu uma amostra de óleo retirada do poço Morpho e classificou o material como “maravilhoso” e de baixa viscosidade. O grau API exato, que mede a leveza e a densidade do óleo, segue sob sigilo regulatório.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, medida que soma barris de petróleo e metros cúbicos de gás natural. A primeira descoberta no poço Morpho havia ocorrido em agosto deste ano, e a Petrobras afirma que as etapas já realizadas confirmam os resultados anteriores.
As próximas operações na região seguem em andamento. A Petrobras obteve autorização para perfurar áreas na Foz do Amazonas em outubro de 2025, com licença concedida pelo Ibama. A conclusão dos testes e manobras no poço Morpho deve continuar até o final de outubro, quando a sonda será desmobilizada e enviada para o Rio Grande do Norte, onde deve perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro. No Bloco FZA-M-59, o planejamento inclui uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027 para a perfuração de três poços de delimitação.
Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal voltou a pedir à Justiça a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A ação, protocolada no TRF1, pede a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59. O MPF cita, entre os argumentos, o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar em janeiro deste ano e a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas e às comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará.