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PUCPR desenvolve terapia com células-tronco para complicações do transplante de medula

Tratamento chamado Mesen Cell já mostrou desempenho promissor contra a DECH, complicação grave que pode surgir após o transplante e levar à morte.

Pesquisadores da PUCPR desenvolvem terapia promissora para combater complicação grave após transplante de medula óssea. Gian Galani/PUC PR
Pesquisadores da PUCPR desenvolvem terapia promissora para combater complicação grave após transplante de medula óssea.

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão desenvolvendo uma terapia avançada que já demonstrou desempenho promissor no controle de uma complicação grave que acomete muitos pacientes após o transplante de medula óssea e pode levar à morte. A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) surge quando as células imunológicas da medula doada identificam o organismo do receptor como estranho e passam a atacá-lo.

A condição pode aparecer nos primeiros 100 dias após o transplante, na forma aguda, ou até anos depois, na versão crônica. Nos casos agudos, as regiões mais atingidas são a pele e o sistema gastrointestinal, com sintomas como vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e mau funcionamento do fígado. Já a DECH crônica pode atingir todo o corpo e, em casos graves, provocar rigidez nos movimentos, dificuldade de respiração e úlceras.

O tratamento tradicional é feito com corticosteroides, mas muitos pacientes não respondem bem aos medicamentos de primeira linha e precisam de remédios mais agressivos ou de imunosupressores. A alternativa desenvolvida pela primeira vez no Brasil, chamada Mesen Cell, usa células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e congeladas até o uso. Segundo a responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR e coordenadora do projeto, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, a proposta é atuar na origem do problema, reduzindo a proliferação das células que provocam o ataque e modulando o sistema imunológico do paciente.

O grupo já fez um estudo-piloto com 11 pacientes com DECH crônica, usando as mesmas células-tronco diluídas com outra substância. Metade apresentou remissão completa. O tratamento também levou à melhora de 75% dos comprometimentos gastrointestinais e 100% dos sintomas de pele, mesmo nos casos mais graves. Agora, os pesquisadores vão iniciar um novo estudo clínico com 20 pessoas, usando uma mistura que se mostrou mais viável. A nova fase de testes começa em setembro, em três centros de referência no Paraná: Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Hospital Erasto Gaertner e Hospital Nossa Senhora das Graças. A pesquisa é custeada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).