SP pode gerar biometano suficiente para abastecer 2,8 milhões de residências
Estado deve alcançar, ainda em 2026, capacidade recorde de 1 milhão de metros cúbicos por dia na produção do combustível renovável
Divulgação/Governo de SP
São Paulo deve atingir ainda este ano a capacidade instalada recorde de 1 milhão de metros cúbicos por dia na produção de biometano. O volume é suficiente para atender integralmente o consumo de gás canalizado de todas as 2,8 milhões de residências conectadas à rede paulista, ou 65% dos imóveis da cidade de São Paulo, que tem 4,3 milhões de residências, segundo dados do Seade.
O estado concentra hoje nove das 19 plantas de biometano em operação no Brasil e reúne algumas das principais iniciativas do país, sobretudo com uso de resíduos do setor agroindustrial e de aterros sanitários. Parte dessas ações foi apresentada por representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) durante evento voltado à aceleração de negócios em biogás e biometano, realizado na semana passada. À plena operação, a capacidade de 1 milhão de metros cúbicos por dia equivale à substituição de aproximadamente 4 mil ônibus urbanos a diesel.
Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com apoio técnico e institucional da Semil, apontou que veículos pesados, como ônibus e caminhões, são candidatos promissores para a conversão ao biometano. O levantamento destaca ainda que o transporte rodoviário paulista responde por 26% do consumo nacional de energia e é composto majoritariamente por óleo diesel, gasolina e álcool.
Durante a abertura do evento, a subsecretária de Energia e Mineração da Semil, Marisa Barros, afirmou que São Paulo já tem capacidade instalada superior a 700 mil metros cúbicos por dia e que outras 11 unidades estão em fase de autorização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Segundo ela, o estado caminha para alcançar cerca de 1 milhão de metros cúbicos por dia até dezembro deste ano, dentro de um potencial estimado de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.
No encontro, a Cetesb apresentou diretrizes e procedimentos para o licenciamento ambiental de plantas de biometano e efluentes, com a meta de reduzir o tempo médio de aprovação para até 60 dias. Já a diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Semil, Laís Almada, citou políticas estaduais, a tomada de subsídios sobre certificados de origem do biometano e a parceria internacional com o Swedfund International AB para estudos sobre novos gasodutos, recuperação de digestato e modelos de negócio para biofertilizantes orgânicos. Ela também destacou o Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050) como parte da estratégia para atingir a neutralidade de emissões de carbono até a metade do século.