Nós não temos medo de bruxas. Temos de aspirador.

Nós não temos medo de bruxas. Temos de aspirador.
Eu, Paçoca, gostaria de esclarecer uma coisa antes que os humanos comecem a enfeitar a casa com morcegos de plástico, abóboras assustadoras e aranhas que, felizmente, não se mexem: nós, cachorras, não temos medo do Halloween.
Eu tenho medo mesmo é do aspirador de pó.
A Matilda, mais elegante, diz que o Halloween é uma oportunidade para os humanos brincarem com aquilo que consideram assustador. Eu acho curioso. Vocês passam o ano inteiro com medo de contas, reuniões, notícias, segunda-feira e boletos e, no dia 31 de outubro, resolvem se fantasiar de bruxa.
Vai entender.
Nós gostamos da parte divertida. As fantasias, as abóboras, as crianças batendo às portas e aquele movimento diferente pela casa. Mas temos algumas ressalvas. Cachorros e gatos não entendem que aquela caveira é de plástico ou que a pessoa fantasiada de monstro é o vizinho. Para nós, mudança de rotina, barulho e gente desconhecida podem ser bastante assustadores.
Então, se você tem um animal em casa, pense nele antes de pensar na decoração.
Deixe água disponível, mantenha portões e portas bem fechados e, principalmente, não ofereça doces. Chocolate e outros alimentos típicos das festas podem fazer mal aos animais. Nós sabemos que fazemos aquela carinha irresistível, mas isso não significa que tudo o que vocês comem deva parar na nossa tigela.
A Matilda também tem uma preocupação: as fantasias.
Nós aceitamos uma bandana. Talvez um lacinho. Agora, colocar uma capa, um chapéu, asas e mais três objetos que impedem nossos movimentos só porque ficou bonito na fotografia já é abuso de criatividade.
Se o animal estiver desconfortável, respeitem.
Afinal, Halloween é para brincar, não para transformar o cachorro em decoração.
E existe uma coisa que nós achamos especialmente interessante nessa data: vocês gostam de brincar de sentir medo. Nós preferimos ensinar o contrário. Coragem não é não sentir medo. É ter alguém por perto que nos faça sentir seguros.
Talvez seja por isso que gostamos tanto de estar com vocês.
No fim, o Halloween passa. As abóboras voltam para as caixas, as fantasias desaparecem e as crianças param de bater às portas.
Nós continuamos aqui.
Esperando vocês voltarem para casa.
Porque, para nós, o lugar mais seguro do mundo não é uma casa assombrada, nem um castelo, nem uma floresta encantada.
É o lugar onde existe alguém que cuida da gente.
Eu, Paçoca, vou continuar de olho nas bruxas.
A Matilda continuará tentando descobrir se elas também fazem carinho.
E, se ouvirem um latido na noite de 31 de outubro, não se assustem.
Provavelmente sou eu reclamando do aspirador.
Paçoca & Matilda
Oito patas, quatro olhos atentos e uma recomendação: neste Halloween, assustem os humanos. Os animais merecem apenas segurança, respeito e alguns petiscos apropriados.