Tem gente que ainda acredita em servir

Nós moramos com dois humanos curiosos. Eles são jornalistas, o que já explica algumas perguntas que nunca terminam. Mas também são servidores públicos. E, para nós, essa parte merece uma conversa um pouco mais séria, embora a Paçoca tenha prometido não perder a oportunidade de fazer alguma provocação.
No dia 28 de outubro, é celebrado o Dia do Servidor Público. Nós achamos justo reservar uma data para quem escolheu trabalhar para a sociedade. Mas, convivendo com a Luciana e o Felipe, aprendemos que ser servidor público não deveria ser apenas ocupar um cargo. É entender que, do outro lado de cada processo, atendimento, documento ou serviço, existe uma pessoa.
A Paçoca diz que a palavra "servidor" é bastante interessante. Não diz "servido". Diz servidor. Ou seja, alguém que está ali para servir. Ela tem dessas: às vezes passa o dia inteiro quieta e, de repente, resolve explicar o significado de uma palavra.
A Matilda é mais delicada e acredita que servir também é uma escolha diária. É chegar para trabalhar sabendo que o que se faz, mesmo quando ninguém percebe, pode melhorar a vida de alguém. É cumprir uma tarefa com responsabilidade quando seria mais fácil fazer de qualquer jeito. É entender que o serviço público não pertence a quem trabalha nele. Pertence à sociedade.
Nós sabemos que nem sempre a imagem do servidor público é tratada com justiça. Existem problemas, desperdícios, burocracia e comportamentos que precisam ser corrigidos, como em qualquer lugar. Mas também existe muita gente que trabalha com seriedade, compromisso e orgulho do que faz e que, justamente por isso, merece ser reconhecida.
Os nossos humanos são assim.
A Luciana e o Felipe são jornalistas e servidores públicos. E fazem isso com satisfação. Não porque o serviço público seja perfeito, mas porque acreditam que trabalhar para a sociedade tem valor.
Nós observamos de perto as manhãs corridas, os compromissos, os dias cansativos e aquela conversa em casa sobre alguma coisa que precisava ser resolvida. Não entendemos exatamente o que eles fazem o tempo todo. Mas entendemos quando alguém trabalha com responsabilidade.
E talvez seja esse o ponto.
Servidor público não é sinônimo de privilégio, assim como também não deveria ser sinônimo de suspeita. É uma função que exige responsabilidade proporcional à confiança recebida.
Neste 28 de outubro, nós queremos fazer uma homenagem especialmente aos nossos humanos.
A Luciana e o Felipe nos ensinaram, sem precisar dizer, que servir também pode ser uma forma de acreditar no lugar onde se vive.
Eu, Paçoca, continuo fiscalizando para garantir que eles não esqueçam de chegar em casa no horário.
A Matilda, como sempre, prefere agradecer pelo exemplo.
E nós duas deixamos um recado para todos os servidores que levam o trabalho a sério: talvez vocês não recebam aplausos todos os dias, mas aquilo que fazem com responsabilidade pode chegar muito mais longe do que imaginam.
Paçoca & Matilda
Oito patas, quatro olhos atentos e duas humanas certezas: servir à sociedade é uma responsabilidade, mas também pode ser motivo de orgulho.