Opinião

CASSI e PREVI: a saúde e a aposentadoria que não podem virar moeda de troca

Duas conquistas de gerações inteiras vivem sob ameaça sempre que a conta aperta. Defendê-las é defender o respeito a quem trabalha.

Há duas palavras que qualquer funcionário do Banco do Brasil aprende a valorizar cedo: CASSI e PREVI. Uma é a saúde; a outra, a aposentadoria. Juntas, representam a segurança de milhões de brasileiros, trabalhadores da ativa, aposentados e suas famílias. E, exatamente por serem tão importantes, vivem no centro de disputas que, de tempos em tempos, ameaçam aquilo que levou décadas para ser construído.

Preciso ser honesto sobre o meu lugar de fala. Sou bancário de carreira, filho de bancário, e conheço essas instituições não pelos jornais, mas pela vida. Vi a CASSI amparar colegas em momentos difíceis, custear tratamentos e sustentar famílias quando a doença chegou sem avisar. Vi também o peso que uma aposentadoria digna, garantida por um fundo sólido como a PREVI, tem na tranquilidade de quem dedicou a vida inteira ao banco. Não são benefícios: são direitos conquistados, pagos com trabalho e contribuição ao longo de gerações.

O problema é que, sempre que a conta aperta, alguém sugere que a saída é mexer justamente aí. Propostas de mudança no custeio, de redução de benefícios ou de alteração nas regras aparecem embrulhadas em linguagem técnica, mas o efeito prático é sempre o mesmo: transferir para o trabalhador e para o aposentado o ônus de decisões que não foram deles. É como pedir a quem já cumpriu a sua parte que pague outra vez.

Defender a CASSI é defender um modelo de custeio justo e sustentável, com gestão transparente e participação real dos funcionários e dos aposentados nas decisões. Ninguém aqui foge do debate sobre responsabilidade financeira, pelo contrário. Mas sustentabilidade não pode ser sinônimo de empurrar o idoso para o plano mais caro do mercado no momento em que ele mais precisa de cuidado. Saúde não é despesa a ser cortada; é compromisso a ser honrado.

Defender a PREVI é blindar contra aventuras aquilo que é, em essência, o salário do futuro. Um fundo de pensão robusto não pode virar objeto de experimentos nem instrumento de pressão. Precisa de governança séria, transparência nos investimentos e respeito absoluto ao direito de quem já se aposentou e à expectativa legítima de quem ainda vai se aposentar. Segurança previdenciária é, no fim das contas, o que permite a alguém encerrar a carreira sem medo.

Há ainda uma dimensão que costuma ser esquecida, a dos aposentados. Reunidos em torno de entidades como a ANABB, eles carregam a memória e a história do banco. Não podem ser tratados como um problema contábil. Quem construiu a instituição de ontem merece proteção integral hoje. Reduzir direitos de quem já não tem como recompor a vida financeira não é ajuste, é injustiça.

Levo esse tema para a campanha porque ele não cabe apenas nas assembleias da categoria. Diz respeito ao tipo de país que queremos: um país que respeita contratos, valoriza o trabalho e não trata a saúde e a velhice como variáveis de ajuste. Como deputado federal, meu compromisso é acompanhar de perto cada movimento que ameace essas conquistas e reagir com firmeza, dentro e fora do plenário.

CASSI e PREVI não são siglas. São a tradução concreta de uma promessa feita a quem trabalha e essa promessa não pode virar moeda de troca. Vou defendê-la com a convicção de quem conhece de perto o que ela significa.