Imposto que vira cuidado: quando cidadania se transforma em ação concreta
A política pública mais eficiente é aquela que aproxima o cidadão do resultado. Não aquela que promete muito, mas aquela que mostra, com clareza, onde cada gesto individual pode gerar impacto coletivo.
É sob essa perspectiva que ganha relevância a campanha “Transforme seu Imposto de Renda em Solidariedade”, realizada em Piracicaba em parceria com Valkíria Callovi, presidente do Fundo Social de Solidariedade, e o delegado da Receita Federal no município, Dr. Antônio José Furlan.
O conceito é simples, mas poderoso: permitir que o contribuinte destine parte do imposto devido — até 3% para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMDECA) e até 3% para o Fundo Municipal do Idoso — diretamente na declaração do modelo completo. Não se trata de pagamento adicional. Não se trata de nova cobrança. Trata-se de redirecionar um valor que já seria recolhido aos cofres federais para projetos sociais locais.
É um mecanismo previsto dentro das regras da declaração do Imposto de Renda e que, muitas vezes, permanece desconhecido por grande parte da população.
Em um país onde frequentemente se questiona o destino dos tributos, a possibilidade de escolha representa algo maior do que um ajuste contábil. Representa participação.
Quando o contribuinte decide direcionar parte do imposto para o FUMDECA ou para o Fundo Municipal do Idoso, ele passa a acompanhar de forma mais próxima o impacto desse recurso em sua própria cidade. O imposto deixa de ser apenas obrigação e passa a ter identidade social.
A atuação de Valkíria Callovi tem sido marcada justamente por essa articulação entre o poder público e as entidades filantrópicas locais. Com formação em Serviço Social, Pedagogia e Filosofia, ela tem promovido palestras, reuniões e participações em programas de rádio e transmissões ao vivo para explicar, de maneira didática, como funciona o processo de destinação dentro do sistema da Receita Federal.
Não há discurso abstrato. Há orientação prática.
Ao apresentar o passo a passo da destinação, a campanha desmistifica a ideia de que o cidadão comum não tem influência sobre a aplicação dos recursos. Tem, sim. E pode exercer esse papel dentro da própria declaração.
Piracicaba possui entidades que desenvolvem projetos relevantes voltados à infância, adolescência e à população idosa. O fortalecimento desses fundos significa ampliar a capacidade de atendimento, de cuidado e de proteção social. E isso tem reflexo direto na qualidade de vida da cidade.
Como empresário, acredito que desenvolvimento econômico e responsabilidade social não são agendas opostas. Ao contrário. Cidades mais organizadas socialmente oferecem ambiente mais estável para geração de emprego, para investimento e para crescimento sustentável.
A campanha também reforça um ponto essencial: informação é instrumento de cidadania. Muitas vezes, o que falta não é vontade de contribuir, mas conhecimento sobre como fazer.
Ao envolver a Receita Federal de Piracicaba no processo de esclarecimento, a iniciativa ganha segurança técnica e institucional. A orientação correta evita equívocos e garante que a destinação seja feita dentro das normas estabelecidas.
Não se trata de discurso político, mas de política pública aplicada. O imposto, quando bem direcionado, pode ser ferramenta de transformação local.
O Brasil discute constantemente eficiência na gestão de recursos públicos. Uma das respostas possíveis está justamente na aproximação entre contribuinte e destino final do recurso. Quando o cidadão percebe que sua contribuição impacta diretamente projetos sociais de sua cidade, cria-se um ciclo de responsabilidade compartilhada.
“Transforme seu Imposto de Renda em Solidariedade” não é apenas um slogan. É um convite à participação consciente.
Se o tributo é inevitável, que ele seja também instrumento de cuidado. Se o recurso já será recolhido, que parte dele fortaleça quem mais precisa — aqui, na nossa realidade.
Cidadania não se exerce apenas nas urnas. Exercita-se também nas escolhas que fazemos dentro dos mecanismos já existentes.
E quando escolha e responsabilidade caminham juntas, o resultado é uma cidade mais forte, mais solidária e mais consciente do seu próprio papel coletivo.