Opinião

Por que a categoria bancária precisa de voz própria em Brasília

Somos uma das maiores categorias do país, mas raramente temos, nos espaços de decisão, alguém que já sentou do outro lado do balcão.

Todos os dias, antes de as agências abrirem, centenas de milhares de trabalhadores vestem a camisa de uma profissão que sustenta a economia brasileira e, ao mesmo tempo, é uma das mais invisíveis quando o assunto é representação política. Só a base de São Paulo, Osasco e Região reúne mais de 140 mil bancárias e bancários, e, somando todo o estado, somos ainda mais. Movimentamos crédito, financiamos o sonho da casa própria, atendemos o produtor rural, o pequeno empresário e a família que quer guardar algo para o futuro. Mesmo assim, quando as decisões que afetam a nossa vida são tomadas na Câmara dos Deputados, quase nunca há entre os votantes alguém que tenha vivido essa realidade por dentro.

Eu vivi. Há quase 20 anos trabalho no Banco do Brasil, onde entrei em 2005 e construí minha carreira como gerente de relacionamento, atendendo pessoas físicas, empresas e produtores rurais. Sou filho de bancário; cresci ouvindo falar de agência, de meta, de plano de saúde e de aposentadoria à mesa de casa. Conheço as alegrias e as angústias dessa profissão. É por isso que decidi me colocar à disposição como candidato a deputado federal por São Paulo.

Não se trata de vaidade nem de mais um nome na urna. Trata-se de uma constatação simples: as leis são feitas por quem está na sala. Quando o setor financeiro é discutido no Congresso, jornada, saúde, terceirização, futuro do emprego diante da tecnologia, a categoria costuma ser assunto, mas raramente é voz. Outros setores entenderam isso há muito tempo e elegeram representantes que conhecem sua realidade. A categoria bancária, tão numerosa e organizada, ainda carece de alguém que fale a partir da experiência vivida, e não apenas dos relatórios.

Ter voz própria não significa defender apenas interesses corporativos. Significa levar a Brasília um olhar que hoje falta. Quem já atendeu numa agência sabe que meta abusiva adoece; sabe o que representa o fechamento de uma unidade numa cidade do interior.

Reconheço que a política anda desgastada e que muitos trabalhadores desconfiam, com razão, de promessas fáceis. Por isso não venho prometer o impossível. Venho oferecer o que tenho: trajetória, coerência e disposição para o trabalho. Um mandato que ouça a categoria antes de decidir, que preste contas e que trate saúde, emprego e dignidade como prioridades inegociáveis. Fora das agências, dediquei-me também ao esporte e aos projetos sociais à frente da AABB de Piracicaba, onde aprendi que representar pessoas é, antes de tudo, servir.

São Paulo é o principal centro financeiro do país e concentra boa parte dos empregos do setor. Faz sentido que daqui saia uma voz da categoria para a Câmara Federal, não como privilégio de uma classe, mas como reforço de uma pauta que interessa a toda a sociedade, um sistema financeiro que gere emprego, atenda bem o cidadão e respeite quem faz o banco funcionar todos os dias.

A categoria bancária já provou sua força nas mobilizações e nas conquistas coletivas. Agora pode dar mais um passo, ocupar o espaço onde as regras são escritas. Eu me ofereço para carregar essa bandeira com responsabilidade, porque quem conhece a profissão por dentro tem o dever de defendê-la por inteiro.